As 7 etapas para o registro de dispositivos médicos junto à Anvisa
O processo de regularização de dispositivos médicos no Brasil exige precisão técnica, planejamento e profundo entendimento da legislação sanitária. Para empresas da área da saúde — desde startups até multinacionais — compreender esse fluxo é fundamental para reduzir riscos, acelerar o time to market e garantir conformidade com a Anvisa, a autoridade máxima em vigilância sanitária no país.
Este artigo apresenta, de forma clara e atualizada, as sete etapas essenciais para conduzir um processo de registro médico eficiente e alinhado às exigências regulatórias vigentes, especialmente sob a RDC 751/2022.
1. Definição da Classificação Regulatória e do Nível de Risco
O ponto de partida do processo regulatório é determinar corretamente a classificação de risco do dispositivo médico, conforme as 22 regras previstas na RDC 751/2022.
Essa etapa identifica se o produto será submetido ao regime de Notificação (classes I e II) ou Registro (classes III e IV), além de verificar a necessidade de certificações obrigatórias, como ensaios específicos ou conformidades complementares.
A atualização trazida pela RDC 751/2022 não apenas modernizou as definições, mas incluiu novas categorias relevantes, como softwares médicos (SaMD), nanomateriais, sistemas e dispositivos terapêuticos ativos com funções diagnósticas integradas.
Empresas com produtos já notificados ou registrados devem observar ainda que, com a mudança normativa, alguns enquadramentos podem ser alterados, exigindo revisões e readequações documentais dentro dos prazos determinados pela Anvisa.
2. Verificação da Conformidade do Sistema de Qualidade
Para seguir adiante com o processo regulatório, o fabricante deve comprovar que opera em conformidade com requisitos de Boas Práticas de Fabricação (BPF), demonstrando que possui um Sistema de Qualidade sólido, rastreável e atualizado.
A Anvisa pode exigir evidências formais dessa conformidade, como certificações válidas, auditorias recentes e documentação técnica que comprove a capacidade do fabricante de produzir dispositivos médicos de maneira consistente e segura.
Essa etapa é fundamental para a credibilidade do processo e para assegurar que o produto final cumpre os padrões de qualidade esperados pelo mercado e pela legislação sanitária.

3. Estruturação e Validação do Dossiê Técnico
O Dossiê Técnico é um dos pilares centrais do processo de regularização e deve ser construído com rigor.
Com a RDC 751/2022, o formato deste dossiê foi modernizado e passou a se alinhar às diretrizes do International Medical Device Regulators Forum (IMDRF), permitindo inclusive o aproveitamento de dossiês utilizados em outras jurisdições estrangeiras.
Entre os principais elementos que devem compor o Dossiê Técnico, destacam-se:
- Descrição clara e detalhada do dispositivo;
- Especificações técnicas;
- Desenhos e modelos;
- Lista de materiais;
- Processo produtivo e fluxogramas;
- Gerenciamento de riscos;
- Ensaios, validações e testes aplicáveis.
4. Demonstração de Desempenho, Segurança e Eficácia
Toda regularização de dispositivos médicos depende da comprovação objetiva de que o produto funciona conforme o declarado pelo fabricante.
Essa etapa envolve:
- Ensaios laboratoriais realizados em conformidade com normas técnicas nacionais ou internacionais;
- Estudos clínicos, quando aplicáveis, ou literatura científica que valide o uso pretendido;
- Relatórios de verificação e validação;
- Testes de usabilidade, especialmente importantes para dispositivos interativos ou digitais.
A robustez dessas evidências reduz riscos de exigências da Anvisa e fornece uma camada adicional de segurança para o fabricante e os usuários finais.
5. Preparação Completa do Processo Regulatório
Com as informações técnicas organizadas, inicia-se a formalização do processo regulatório.
Essa etapa envolve:
- Estruturar o processo conforme o regime sanitário aplicável (Notificação, Registro ou Alteração);
- Elaborar petições e formulários obrigatórios;
- Produzir justificativas técnicas e análises de impacto;
- Revisar documentos e adequar todos os materiais às exigências formais estabelecidas pela RDC 751/2022 e demais resoluções aplicáveis.
Para empresas com produtos aprovados por Autoridades Reguladoras Estrangeiras Equivalentes (AREE), a IN 290/2024 permite solicitar o aproveitamento de análises estrangeiras para um rito otimizado de registro, quando aplicável.
Essa opção pode reduzir o tempo de análise, embora a Anvisa mantenha autonomia para decidir de forma distinta da autoridade estrangeira.
6. Submissão e Acompanhamento do Processo na Anvisa
A etapa de submissão exige atenção às formalidades do sistema da Agência.
O Dossiê Técnico e seus anexos devem ser protocolados no formato aceito pela Anvisa, seguidos de acompanhamento contínuo no sistema eletrônico, monitorando prazos, movimentações e eventuais alertas.Caso a Anvisa emita exigências técnicas, o detentor deve responder dentro dos prazos regulamentares, apresentando evidências consistentes e justificativas adequadas.
Respostas incompletas podem gerar indeferimentos e atrasar a entrada do produto no mercado.
7. Atividades Após Aprovação e Monitoramento Contínuo
Após a aprovação, inicia-se a fase de vigilância pós-mercado, essencial para garantir que o dispositivo continue atendendo aos requisitos de segurança e desempenho ao longo de seu ciclo de vida.
Essa etapa envolve:
- Monitoramento de queixas técnicas e eventos adversos;
- Ações de campo, quando necessárias;
- Atualizações documentais;
- Revisão contínua das condições aprovadas no registro.
A legislação também determina que toda comunicação ou publicidade relacionada ao dispositivo médico esteja em total conformidade com as informações que o detentor forneceu à Anvisa, reforçando a importância da consistência regulatória mesmo após a entrada do produto no mercado.
Conclusão
Registrar dispositivos médicos no Brasil exige conhecimento profundo da legislação, organização técnica e acompanhamento contínuo das atualizações regulatórias.
Desde a correta classificação inicial até o pós-mercado, cada etapa é determinante para garantir conformidade, segurança, competitividade e permanência sustentável do produto no mercado nacional.
Se você precisa de suporte especializado para conduzir qualquer uma dessas etapas — da classificação inicial ao monitoramento após aprovação — a equipe da Register Medical Group (RMG) está pronta para ajudar.Entre em contato conosco para obter consultoria regulatória personalizada.
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